Arquivos da categoria: Em pauta

“América Primeiro”, Mas Quem Será o Segundo?

Por Faisal Irshaid

BBC News

Em seu discurso de posse, em janeiro, o presidente Donald Trump disse: “Será apenas a América em primeiro lugar.”

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Não demorou muito para os comediantes usarem isso como uma oportunidade para algumas sátiras políticas e para fazerem piadas sobre qual país poderia, então, ficar em segundo lugar.

Algumas semanas atrás, o show holandês Zondag Met Lubach lançou um vídeo promocional satírico, apelando de forma irônica ao Sr. Trump para escolher Os Países Baixos em segundo lugar, depois, é claro, da “América em primeiro lugar.” “Entendemos totalmente que será a América primeiro – mas podemos apenas dizer,” Os Países Baixos em segundo? ”. Assim termina o vídeo.

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‘Narcisista maligno’: Donald Trump Exibe Traços Clássicos de Doença Mental, Afirmam Psicólogos

Mais e mais especialistas em saúde mental estão compartilhando seu diagnóstico para alertar o público.

Artigo original: The Independent

Hillary Clinton alegou que Trump era “temperamentalmente impróprio” para ser presidente e, nos últimos meses, muitas pessoas em todo o mundo chegaram à mesma conclusão. Clinton era, naturalmente, adversária política de Trump, mas alguns psicólogos começam, agora, a questionar seu estado mental.

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A Importância de Saber a Hora de Partir

A palavra “mudança” pode trazer várias expectativas — boas ou ruins — mas que sempre mexem com nossa emoção. Portanto, é natural do ser humano ficar ansioso nessas fases. A importância de saber a hora de partir pode tornar esse processo mais fácil. Neste texto, trago algumas reflexões que podem ajudar quem sente que precisa fazer uma mudança em sua vida. Confira!

Como descobrir a hora de mudar?

Estar na zona de conforto não é sempre negativo. Mas sentir-se desconfortável, irritado ou impaciente nessa zona “acolhedora”, pode ser um dos primeiros sinais de que é hora de partir.

Outros indícios como sentir-se incomodado, insatisfeito e sem prazer, alegria ou satisfação em suas atividades (trabalho, lar, relacionamento, amizade, etc.).

Por isso, ter em mente que a atitude de mudar pode ser difícil para todos, e não apenas para você, é reconfortante. Mudar de cidade, trocar de emprego, sair de um longo relacionamento não é fácil, mas muitas vezes é preciso.

Como criar coragem para a hora de partir?

O desejo impulsiona a coragem, assim como perseverança, confiança e preparo mental para lidar com as prováveis críticas. Mas se todas as possibilidades já foram planejadas e estudadas não há o que temer. O medo da mudança, aliás, é o principal freio do impulso de agir.

Pensar nos benefícios que esta atitude trará para a pessoa aumentará a coragem. Conhecer novas possibilidades e pessoas com seus modos diferentes de interagir e de pensar é uma vantagem motivadora, e isso vale pra tudo, mas principalmente para quem decide largar tudo para fazer uma longa viagem.

Um exemplo pode ser conferido no filme “Comer, rezar e amar”, com Julia Roberts. As grandes amizades, aprendizados e conquistas que a personagem obteve em um ano de viagem são razões mais do que encorajadoras. Aliás, este pode ser um bom filme para quem estiver planejando um ano sabático, por exemplo. Já o texto “Dicas Para se Sentir em Casa em Terra Estrangeira”, é uma leitura valiosa.

O que me faz feliz?

A felicidade pode ser sentida muitas vezes e por certos períodos. Mas ter em mente que há momentos mais ou menos felizes pode ser libertador. Ninguém é completamente feliz em 100 por cento da sua vida. Em épocas de doença, perda de emprego, falecimento de uma pessoa querida, não há, em geral, a sensação de felicidade plena. E isso é normal, já que tais fatos podem trazer emoções perturbadoras, mas que são parte inerente de nossas vidas.

E se eu magoar alguém?

Essa é uma possibilidade que pode frear a coragem, já que em qualquer partida, a emoção negativa de uma grande mudança é inevitável. É claro que em alguns tipos de mudança a possibilidade de provocar mágoa e tristeza em outras pessoas (ou em si mesmo) é ainda maior, como no término de um relacionamento ou na hora de deixar a casa dos pais, por exemplo, que poderão sofrer com a famosa “síndrome do ninho partido” – que acomete alguns pais quando os filhos se mudam, principalmente quando o destino final é outro país.

Como agir no momento exato de partir?

Chegou a hora, o voo está marcado, a passagem comprada e você se dá conta de que não há mais volta. Nesse momento, o coração vai acelerar e causar aperto no peito, além disso, suores e tremores podem ocorrer. Deixe a emoção sair, até mesmo pelo choro que “lava a alma”, acalma a mente e libera as emoções contidas que causam os sintomas físicos citados. Despeça-se com fortes abraços e muito beijos.

Por fim, lembre-se de que as tecnologias atuais, como smartphones, tablets e computadores que permitem ouvir a voz e ver as pessoas amadas. Não é como tocar nas pessoas, é claro, mas ver e ouvir pode aliviar — e muito —  a saudade.

Espero que o texto sirva como uma ferramenta encorajadora para os vários momentos em que você pensar: “Será que já é hora de partir?”. 

Deixo, também, mais uma sugestão de leitura, dessa vez o livro: “23 Hábitos Anti-Procrastinação”. Fica o convite para assinar a newsletter para receber mais artigos motivadores como este!

Uber: Mocinho ou Vilão?

“É perigoso usar o Uber”?

Muitos dizem que sim.

Nascido em 2008 a partir de uma ideia de dois amigos, Kalanick e Garrett Camp, Uber foi concebido em uma noite de inverno em Paris, quando eles estavam na rua e não conseguiam parar um táxi. Eles logo lançaram o serviço em São Francisco, e em pouco tempo, a lista de investidores pipocou. (Lista que supostamente inclui nomes como Jay-Z e Ashton Kutcher). Mesmo para os padrões da tecnologia, o crescimento do Uber tem sido incrível. Há três anos, operava em apenas 14 cidades; hoje, está em 300 cidades de 56 países, incluindo Arábia Saudita, Líbano, Quênia e Rússia. Até o final de 2014, tinha um total de cerca de 160.000 motoristas ativos só nos EUA.

394440-69a0d832ed17f2d3a4c8b26b473f05beed63b178Desde o seu lançamento, Uber tornou-se uma febre, com 160.000 motoristas só nos EUA e a incrível marca de US $ 41 bilhões arrecadados. No entanto, em meio a críticas de que a empresa não está fazendo o suficiente para proteger passageiros do sexo feminino, Uber tornou-se rapidamente um estudo de caso do Vale do Silício.

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Os Cataphiles e o Submundo das Catacumbas de Paris

As Catacumbas de Paris têm suas origens nas pedreiras de calcário situadas nos arredores da cidade. Este recurso natural tem sido usado desde o tempo dos romanos e fornecido material para a construção de edifícios da cidade, bem como contribuído para o crescimento e expansão da cidade. Foi só depois da segunda metade do século 18, no entanto, que as antigas minas de calcário (agora sob a cidade, conforme ela se expandiu ao longo dos séculos), foram transformadas em locais de sepultamento.

Por volta do século 18, cemitérios parisienses como o Les Innocents (o maior cemitério de Paris) foram ficando superpovoados, dando origem a enterros impróprios, sepulturas abertas e cadáveres expostos. Muito naturalmente, as pessoas que viviam nas proximidades destes lugares começaram a reclamar do forte cheiro de carne em decomposição e da propagação de doenças provenientes dos cemitérios.

Em 1763, um decreto emitido por Louis XV proibiu todos os enterros na capital. A Igreja, porém, não queria perturbar ou mover os cemitérios, e se opôs à sentença. Como resultado, nada foi feito. A situação persistiu até 1780, quando um longo e incomum período de chuva de primavera causou o colapso de uma parede ao redor do Les Innocents, resultando no derramamento de cadáveres putrificados em uma propriedade vizinha. A esta altura, as autoridades francesas foram obrigadas a tomar medidas.

 

Engraving depicting the Saints Innocents cemetery in Paris, around the year 1550.

Gravura que retrata o cemitério Les Innocents, em Paris, por volta do ano 1550.

Em 1786, as antigas pedreiras Tombe-Issoire foram abençoadas e consagradas.

A ideia de usar os túneis abandonados das pedreiras parisienses é creditada ao chefe de Polícia, General Alexandre Lenoir, e levada à cabo por ordem de seu sucessor o Sr. Thiroux de Crosne.

A escolha do local apropriado e execução da tarefa ficou a cargo do ” Service des carrières” cuja tradução poderia ser “Serviço das Pedreiras”, na realidade, um órgão governamental criado em 4 de abril de 1777 para zelar pela segurança e consolidação do subsolo parisiense, tão cheio de túneis e cavernas com constantes riscos de desabamentos.

Demorou dois anos para todos os ossos do Les Innocents serem transferidos para as catacumbas. Este sistema de túneis é oficialmente designado “Les Carrières de Paris” (As pedreiras de Paris ou Subterrâneos de Paris) e, embora o ossuário ocupe apenas uma parte dos túneis, todo o sistema é comumente conhecido como “As Catacumbas de Paris” e chega a 400 km de extensão.

A organização do Ossuário iniciou-se em 1785.

Nas décadas seguintes, ossos foram removidos dos cemitérios nos arredores de Paris para serem enterrados nas catacumbas. Além disso, a prática de enterrar os mortos recentes diretamente nas catacumbas começou após a Revolução Francesa.

Foi apenas em 1859 que a transferência definitiva dos ossos foi realizada, durante a renovação de Paris por Georges-Eugène Haussmann, e o trabalho foi finalmente concluído em 1860. Sete anos mais tarde, as catacumbas foram abertas ao público.

Bones from the former Magdeleine cemetery. Deposited in 1844 in the western ossuary (bone repository) and transferred to the catacombs in September 1859.

Ossos do antigo cemitério Magdeleine, depositados em 1844 no ossuário ocidental (repositório de ossos) e transferidos para as catacumbas em setembro 1859.

Embora as Catacumbas de Paris ainda estejam abertas ao público em geral nos dias de hoje, o acesso é limitado a apenas uma pequena parte da estrutura. Desde 1955 é considerado ilegal entrar nas outras partes das catacumbas.

No entanto, durante as décadas de 70 e 80, as catacumbas foram exploradas ilegalmente por exploradores urbanos parisienses conhecidos como Cataphiles. (Saiba mais sobre eles clicando neste texto). Alguns dos espaços foram, inclusive, restaurados e transformados em espaços criativos. Uma destas cavernas subterrâneas, por exemplo, foi transformada em um anfiteatro secreto completo, com uma tela de cinema gigante, equipamento de projeção, alguns filmes e poltronas. A área vizinha foi transformada em um bar/restaurante totalmente abastecido, onde os clientes do anfiteatro podem fazer um lanche ou uma refeição.

Estima-se que mais de 300 Cataphiles entram nas catacumbas toda semana através de entradas secretas. Não-Cataphiles e turistas, entretanto, muitas vezes não são bem-vindos.

A view of the Catacombs under Paris. The catacombs are a large collection of bones and ossuaries under the city. Engraving, 1855

Gravura de 1855 que mostra uma vista das catacumbas sob Paris.

Desde o seu começo, como uma pedreira de calcário para ser utilizada nos enterros do século 18, até o papel que desempenha hoje na vida dos Cataphiles, as Catacumbas de Paris têm sido uma parte importante da cidade.

Embora a exploração sistemática dos túneis subterrâneos possa trazer à luz a extensão das catacumbas, isso provavelmente não contaria com a aprovação de todos os setores. Afinal de contas, o segredo dos corredores das catacumbas e a oportunidade de fugir da agitação da cidade logo acima, são conceitos atraentes para os Cataphiles, e eles provavelmente não abririam mão de suas assombrações tão facilmente.

Nota: Este texto foi atualizado em 3 de abril de 2016 e as fotos foram tiradas por mim durante visita às catacumbas no dia 2 de abril do mesmo ano.

Informações adicionais: Wikipedia

Calcula-se que as Catacumbas de Paris contenham os despojos de 5 a 6 milhões de pessoas. Os únicos corpos que foram sepultados diretamente nas Catacumbas foram dos mortos nos combates da Revolução Francesa de 28 e 29 de agosto de 1788, na praça do Hôtel de Ville de Paris, de 28 de abril de 1789, na “Manufacture de Réveillon” e de 10 de agosto de 1792, nas Tulherias.

No romance “O Pêndulo de Foucault,  de Umberto Eco, as Catacumbas de Paris são a localização de um pergaminho dos Cavaleiros templários.

Victor Hugo usou seus conhecimentos sobre os subterrâneos de Paris ao escrever “Os Miseráveis“.

Em 1871, membros da Comuna de Paris mataram um grupo de monarquistas em uma das câmaras das Catacumbas.

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A fila para entrar nas catacumbas dobrava o quarteirão, mesmo com chuva.

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Vista do prédio onde se localiza o Ossuário

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o ossuário foi abandonada na época da Revolução Francesa, mas reorganizada em 1809 por Louis-Etienne-François Héricart de Thury para receber visitantes. Os ossos foram cuidado

O ossuário foi abandonado na época da Revolução Francesa, mas reorganizado em 1809 por Louis-Etienne-François Héricart de Thury para receber visitantes. Os ossos foram cuidadosamente empilhados em uma decoração funerária monumental, com colunas dóricas, altares, fontes e placas gravadas. Havia armários mineralógicos exibindo amostras de rocha para explicar a geologia de Paris ao público. Desde o início, os visitantes foram muitos e, por vezes, prestigiosos – tais como o Imperador Francis I, da Áustria, que visitou em 1814 e Napoleão III, que veio em 1860.

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Indicação da rua logo acima.

 

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Pare! Este é o império da morte.

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Ossos do cemitério de St Eustache depositados em maio de 1787

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Ossos do antigo cemitério La Magdeleine depositados no ossuário ocidental em 1844 e transferidos para as catacumbas em setembro de 1859.

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Saída das catacumbas

Informações:

Endereço: 1 Avenue du Colonel Henri Rol-Tanguy, 75014 Paris, France

Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 10h00 as 20h00

Site oficial: http://www.catacombes.paris.fr/

Dica de filme (para quem gosta de filmes de terror)

Assim na Terra Como no Inferno

Sinopse: Um grupo de arqueólogos está em busca de um tesouro perdido e, para isso, explora o desconhecido labirinto de ossos nas catacumbas abaixo de Paris. Aquela região, conhecida como a cidade dos mortos, revela um segredo que mexerá com a psique humana de modo que os demônios pessoais de cada um voltarão para assombrá-los.

A Praia é Nossa! Saiba Quem Comprou uma Praia Particular na Nova Zelândia e a Tornou Pública

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A praia está garantida para as próximas gerações, dizem os militantes.

Uma campanha de *crowdfunding para comprar uma praia da Nova Zelândia teve a sua proposta aceita depois de atingir sua meta de financiamento.

Cerca de 40.000 pessoas doaram cerca de $ 1,5 milhão para comprar a praia Awaroa, situada no Parque Nacional Abel Tasman, na costa norte de South Island, colocada à venda no ano passado.

Ativistas disseram que o governo e outros grandes doadores também contribuíram.

O projeto foi lançado depois que um grupo de amigos prometeu garantir a praia para uso público.

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O Que as Mulheres Grávidas ao Redor do Mundo Levam Para o Hospital?

Antes de ir ao hospital dar à luz, todas as mulheres grávidas, no mundo todo, fazem a mesma coisa: embalam os itens mais necessários em suas malas e preparam-se para, talvez, o momento mais importante de suas vidas.

Sete mulheres ao redor do mundo, apoiadas pela organização sem fins lucrativos Water Aid, decidiram mostrar o conteúdo de suas ”malas de emergência”.

Nunca poderia imaginar que a diferença entre elas seria tão drástica!

O pessoal do site Bright Side lhe oferece a oportunidade de saber mais sobre a vida de sete gestantes e seus preparativos cuidadosos antes da chegada de um novo membro da família.

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Explorando o Subterrâneo de Paris com os Cataphiles

Por Jacki Lyden

Artigo original: http://www.npr.org

Paris, Cidade da Luz, é realmente um conto de duas cidades. Um deles está acima do solo, com sua querida Torre Eiffel e Notre Dame. Esta é a cidade que o mundo vê. E depois existe a cidade que muito poucos de nós jamais verá –  o subterrâneo de Paris, o ‘souterrain’. Jacki Lyden e o fotógrafo da National Geographic, Stephen Alvarez, uniram-se para ver o que existe lá embaixo.

(Fotografias de Stephen Alvarez / National Geographic)

Abaixo da cidade, concentradas na margem sul do rio Sena, pedreiras de calcário escondidas datam de muitos séculos, fornecendo pedras para grandes monumentos de Paris, como Notre Dame. A mineração deixou para trás um labirinto – pelo menos 180 milhas de túneis abandonados, salas secretas e cavernas, buracos de minhoca ímpares grandes apenas o suficiente para se contorcer através deles e que correm diretamente abaixo de algumas das ruas mais conhecidas da cidade.

Para ser um cataphile, você precisa ter nervos de aço.

Minha primeira viagem começou em uma noite de maio no bairro de Montparnasse, em Paris – na escuridão antes da meia noite. Junto com Stephen Alvarez e o pessoal da National Geographic, deslizamos por um barranco e andamos ao longo de uma ferrovia abandonada. Caminhamos ao longo de uma milha em campo escuro para evitar a atenção da polícia, porque esta atividade é ilegal – mas acontece de qualquer maneira. Se você for pego, pode levar uma multa. Os Cataphiles, também chamados de espeleologistas urbanos e exploradores, rastejam e passeiam por túneis abaixo da superfície de Paris pela enorme rede de catacumbas e ‘catholes’ abaixo. Muitas vezes debaixo de um bueiro, e com a ajuda de uma escada, eles me mostraram um mundo incrível que poucos parisienses já tiveram a oportunidade de ver.

 

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Stephen Alvarez, da National Geographic, mostra fotografias para mergulhadores do Corpo de Bombeiros de Paris. Eles praticam resgates subaquáticos no rio Sena e abaixo do canal Saint-Martin. Fotografia: Jacki Lyden

Nos esprememos em um buraco de minhoca de tamanho humano e de repente descemos 60 pés – e voltamos 200 anos no passado. O mundo moderno havia desaparecido. Éramos exploradores solitários, viajando em meio ao arquivo silenciosos de ossos, pedras e inúmeras antiguidades em túneis escancarados de pedreiras. Eu fiquei imaginando qual seria a sensação de ser um mineiro…

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Conheça os Cataphiles: Daniel Garnier-Moiroux rasteja através de uma seção muito apertada das catacumbas de Paris. Fotografia: Stephen Alvarez/National Geographic

Explorar o subterrâneo parisiense é, naturalmente, uma lição de história francesa. Em paredes de pedra, existem grafites da época da Revolução Francesa. Mais recentemente, existem ex-abrigos nazistas – e a alguns metros deles, esconderijos para a resistência francesa e colunas gigantes para segurar edifícios acima, como o hospital militar de Val de Grace.

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Conheça os cataphiles: David Babinet, um cineasta francês, frequentemente explora o subterrâneo de Paris. Fotografia: Jacki Lyden

Muitas vezes, acontecem inundações. “Coloque seus pés do mesmo jeito que eu estou fazendo”, nosso Cataphile sugeriu, ajustando seu farol. Daniel Garnier-Moiroux, de 22 anos, é um estudante sério e charmosos da Ecole de Mines, uma escola de engenharia de prestígio. Ele estava me dizendo como andar sob vários pés de água – mas minha bota deslizou para fora de qualquer maneira. Daniel desce uma ou duas vezes por semana, simplesmente pela experiência de solidão, de não ser “normal”, por vir aqui embaixo com nada além de um farol, mochila e talvez um mapa – apenas para constar. (Outros Cataphiles não usam nenhum mapa e caminham na escuridão.).

“Eu passei literalmente milhares de horas debaixo da terra”, disse Alvarez, que trazia consigo suas câmeras e apetrechos. Ele é um explorador experiente e famoso por isso. “Aqui, eu entro e eu estou imediatamente perdido. Sem alguém para me mostrar ao redor, eu vagaria por aqui até morrer.” Um exagero, com certeza, mas estranhamente apropriado nas catacumbas.

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Conheça os Cataphiles: Gilles Thomas é o autor do Atlas du Paris Souterrain. Fotografia: Jacki Lyden

À medida que nos arrastamos, andamos e avançamos, Daniel fala sobre possíveis perigos, sendo o mais grave deles um fontis súbito, ou colapso. Isso é exatamente o que aconteceu em 1774 – quando uma rua chamada Rue d’Enfer desabou. (Curiosamente, o nome da rua significava “Rua do Inferno” e foi rebatizada como Denfert-Rochereau.). O rei Louis XVI, que viria a perder a cabeça na Revolução Francesa, ordenou a seu arquiteto que avaliasse os danos. Horrorizado, Charles Axel Guillaumot reportou que muito de Paris poderia entrar em colapso, já que o local havia sido construído com pedreiras frágeis que se estendiam por milhas.

“Eles criaram a Inspection Generale des Carrieres [ou pedreiras]”, explicou Daniel, uma agência que existe até hoje. Por mais de cem anos, iniciado por Guillaumot, eles levantaram os telhados dos túneis de pedreira, deixaram nos ângulos certos, consolidaram paredes.” Ele nos mostrou como os inspetores combinaram as ruas acima com as “interseções” abaixo, e como eles numeraram os muros: G para Guillaumot, por exemplo, 1779 para o ano, e 4 para o número de paredes criadas na sequência daquele ano. Cada inscrição é gravada em carbono preto e algumas estão em francês antigo. Em uma inscrição na Rue Vaugirard, vi a expressão “au couchant“, indicando o lado ocidental da rua onde o sol “vai para a cama”.

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Conheça os Cataphiles: A arte é uma visão comum abaixo de Paris. Fotografia: Jacki Lyden

De repente, ouvimos cantoria, gritos e risos à distância: Nós havíamos entrado no mundo da arte cataphile. Um homem corpulento estava tocando um mural de uma grande onda que ocupava três lados de uma câmara subterrânea. Era uma reprodução do mural japonês do artista Hokusai. A piada é que esta parte das catacumbas é chamada de “La Plage“, ou praia, porque é de areia.

O muralista apresentou-se para mim como “Psyckose“, assim como muitos Cataphiles usam um “nome de caverna” para escapar da detecção acima do solo pela polícia. “As catacumbas são a cruz [estradas] do mundo”, ele me disse. “Todo mundo está vindo para cá … de Los Angeles, Londres, África do Sul….e todo mundo está totalmente nu – porque aqui é simplesmente escuro, e nada mais do que espaço morto”. Isto é ficar nu em um sentido metafórico, imaginei, e quase morto!

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Conheça os Cataphiles: “Cat” tem 24 anos e gosta de explorar as cavernas. Fotografia: Jacki Lyden

Um dos melhores sons abaixo do solo foi o som festivo do espumante. E um dos pontos turísticos dos sonhos: um amigo de Daniel, Louis, iluminou o “espaço morto” com uma dança do fogo de tirar o fôlego. Nós assistimos as luzes do fogo passeando para cima e para baixo pelas paredes enquanto Alvarez saia de fininho. Assim, brindamos as catacumbas. Como nós caminhamos para fora pouco antes do amanhecer, os pássaros já estavam cantando, e a cidade estava tranquila e encantadora.

Mas nas próximas semanas, eu ainda voltaria para novas aventuras, já que o universo cataphile é tão distinto quanto cada uma das pessoas que nele habita. E talvez, eu tenha me tornado, também, um pouco Cataphile, embora ainda carregue minha lanterna, meu mapa…e meu guia.

Vídeo em inglês