Dinheiro – Será Que Ele é Mesmo o Vilão?

Eu sou marketeira wannabe assumida e agora reconheço isso. Nem sempre foi assim. A cobrança de um trabalho das 9 as 17, usando tailleur e enfrentando congestionamento ainda é grande. Parece que quanto mais você se ferra, mais as pessoas te admiram. Indo na contramão do bom senso, bonito mesmo é ser um duro, viver se equilibrando pra pagar os carnês e rebolar pra dar conta de pagar o mínimo do cartão de crédito. Eu sempre tive uma relação muito estranha com o dinheiro. Fui criada, como tantas outras pessoas, achando que ganhar muito dinheiro (ou seja, ser rica) era imoral, errado e amaldiçoado; que o dinheiro era sujo e só trazia desgraça; que as pessoas ricas eram todas crias do capeta fantasiadas de roupas de grife, mansões e carros esportivos.

É feio ser rico. Não é politicamente correto, a sociedade não aceita, o Brasil é um país cuja discrepância social é um absurdo e quem ganha dinheiro não vai pro céu, nem se comprar um lote na igreja do pastor que mora nos States. É claro que essa referência de dinheiro me perseguiu a vida toda. Eu era daquele tipo cujo discurso se resumia a trilogia da casinha mais ou menos, do carrinho que “tá velho mas tá pago” e de matar um leão por dia. Eu me contentava com qualquer dinheirinho que viesse em forma do abençoado pagamento no final do mês, embora eu soubesse que meu trabalho valia pelo menos o triplo do que eu recebia e que, impreterivelmente, eu teria que pedir um “vale” dez dias depois de ter colocado as mãos na bufunfa pra me virar até receber o resto da grana.

Essa falta de fé no meu taco e a crença de que eu não precisava de nada além de algum dinheiro que me fizesse sobreviver empacaram a minha vida adulta por um bom tempo. Mas essa mentalidade pobre mostrou mesmo as garras quando eu resolvi trabalhar como fotógrafa freelancer. Fiz curso no exterior, investi pesado em equipamentos, workshops, estudei pra caramba a fim de me preparar para o mercado de trabalho, e quando os trabalhos finalmente começaram a chegar, adivinha só? Cinco anos depois, a minha incapacidade de me achar merecedora de ganhar dinheiro sepultou o meu sonho de me tornar uma fotógrafa reconhecida e jogou quilos de cimento – e dezenas de milhares de reais – no meu restinho de autoconfiança. Mesmo assim, não conseguia mais me enxergar no mundo corporativo (acho que, na verdade, eu NUNCA me enxerguei nele) e finalmente percebi que o empreendedorismo é um caminho sem volta, uma trip da qual você não tem a menor intenção de sair e, acima de tudo, um estilo de vida.

Foi quando eu dei de cara com o livro do T. Harv Eker, “Os Segredos da Mente Milionária”. Abençoado seja esse livro que arrancou de supetão as cataratas de pobreza dos meus olhos cheios de escassez! De repente aquelas palavras abriram a minha mente como uma foice e foram arrancando, uma a uma, as minhas crenças limitantes e distorcidas sobre o dinheiro. O livro já me fisgou bem no início: “…Você tem que ser a pessoa certa, no lugar certo, na hora certa. Quem é você, então? Quais são suas crenças? Qual é a sua opinião sobre si próprio? Quanta confiança você tem em si mesmo? Você realmente acredita que merece ser rico? Qual é a sua capacidade de agir apesar do medo, da preocupação, do incômodo, do desconforto”?

Responder a estas questões com a mente aberta, livre de julgamentos e pré-conceitos já é, por si só, uma vitória. Eu descobri que, ao mesmo tempo em que desejava ter dinheiro, eu  julgava todas as pessoas abastadas e as desprezava como sendo seres do mal, gananciosos, egocêntricos e fúteis. Como eu poderia querer algo que eu repugnava? O processo de desintoxicação dessas crenças e conceitos tão fortemente enraizados não acontece da noite para o dia. É lento e também doloroso, porque mostra um lado nosso que não queremos ver, tampouco admitir que temos. Um lado que grita a plenos pulmões que o dinheiro é importante, sim; que o dinheiro pode te libertar; que o dinheiro nos mantém em movimento e que o uso que fazemos dele é nossa responsabilidade, seja para o bem ou para o mal.

A verdade é que o fato de você ter dinheiro não te transforma em um ser humano superficial e maléfico, assim como viver na dureza não faz de você um mártir ou exemplo de vida. O que você é na essência o dinheiro não corrompe.

Eu ainda estou nesse processo de faxina mental, mas descobri, justamente no olho do furacão, que a abundância que você visualiza precisa encontrar um canal aberto para entrar e você é a única pessoa capaz de trancar ou escancarar a porta. Permita-se querer o que te serve e o que te faz feliz, sem máscaras sociais e hipocrisias veladas.

Não tenha vergonha de ser merecedor de uma vida digna e próspera.

 

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