Síndrome do Pânico – Será que eu Estou Enlouquecendo?

“Estou perdendo o controle”

 “Eu sinto que estou ficando louco”

 “Eu devo estar tendo um ataque cardíaco”

 “Eu estou sufocando e eu não consigo respirar”

Ele chegou de surpresa. Comecei a sentir onda após onda de medo e meu estômago deu sinais de que algo não estava bem. Eu podia ouvir meu coração batendo tão alto que pensei que fosse saltar do meu peito. Não sentia mais minhas pernas, minhas mãos, meu rosto. Tudo formigava. Fiquei com tanto medo que não conseguia recuperar o fôlego. O que estava acontecendo comigo? Eu estava tendo um ataque cardíaco?

Os ataques de pânico são muito reais, muito terríveis e emocionalmente debilitantes. Muitas pessoas que experimentam um ataque de pânico acabam em salas de emergência de algum hospital ou em consultórios médicos – preparados para ouvir a pior notícia possível.

Quando elas não ouvem que tiveram uma condição física grave (como um ataque cardíaco), esta notícia pode realmente aumentar sua ansiedade e frustração: “Se estou fisicamente bem, o que aconteceu comigo? Eu acabei de experimentar algo tão terrível que nem consigo explicar. Então, o que está acontecendo comigo”?

Se uma pessoa com pânico não é diagnosticada, ela pode pular de médico em médico durante anos sem experimentar qualquer alívio. Em vez disso, torna-se mais e mais frustrante para o sofredor de pânico o fato de que ninguém seja capaz de identificar o problema e fornecer qualquer tipo de ajuda.

Porque os sintomas de pânico são muito reais, a ansiedade é traumatizante, e toda a experiência é nova e estranha, um ataque de pânico é uma das piores experiências que uma pessoa pode ter. Além disso, existe sempre o medo iminente: “Quando isso vai acontecer comigo de novo”?

Algumas pessoas ficam tão assustadas de ter outros ataques, especialmente em público, que se retiram para suas “zonas seguras”, geralmente suas casas, e muito raramente saem. Esta condição é conhecida como agorafobia. A pessoa com agorafobia não gosta de ter sua vida restrita. Esta é uma existência deprimente e miserável. É o medo de ter mais ataques de pânico em público – onde ela não se sente segura – que a mantém presa dentro de casa.

Mais de quatro milhões de americanos sofrem de ataques de pânico, de acordo com o National Institutes of Mental Health. Esse número corresponde a cerca de 5% da população adulta americana. Muitos pesquisadores sentem que este número é uma estimativa baixa, porque muitas pessoas que experimentam ataques de pânico nunca recebem o diagnóstico adequado e “vivem” com isso, apesar do medo e do horror que isso lhes causa.

O que é um ataque de pânico?

heart-attack-symptoms-in-womenUm ataque de pânico só pode ser descrito como um pesadelo emocional. Algumas pessoas com pânico sentem que estão em um crescente ciclo de catástrofe e desgraça e que algo ruim vai acontecer com elas “neste exato momento”. Outras, sentem como se estivessem tendo um cardíaco. As palpitações cardíacas as convencem de que estão prestes a ter um ataque. Outras pessoas sentem que vão “perder o controle” de si mesmas e vão fazer algo embaraçoso na frente de outras pessoas. Outras respiram tão rapidamente, de forma curta e procurando por ar, que acabam hiperventilando e sentem que vão sufocar por falta de oxigênio.

Alguns dos sintomas do pânico incluem:

  •  Coração acelerado
  • Tonturas e vertigens
  • Sentimento de não conseguir recuperar o fôlego, dificuldade de respirar e de “puxar” todo o ar
  • Pressão no coração ou “peso” no peito
  • Ondas de calor ou calafrios
  • Formigamento nas mãos, pés, pernas, braços, rosto
  • Nervosismo e tremores
  • Tontura e sensação de desmaio
  • Palmas das mãos suadas, rosto corado
  • Terror
  • Medo de perder o controle
  • Sensação de estar prestes a morrer
  • Sensação de precisar fugir ou precisar de uma ambulância
  • Dificuldade de ouvir, como se o ouvido estivesse entupido / zumbido no ouvido
  • Mudanças na visão e na claridade
  • Despersonalização ou sensação de estar fora de si
  • Sensação de precisar ir ao banheiro
  • Medo de ficar louco

Um ataque de pânico dura, tipicamente, vários longos minutos e é uma das condições mais angustiantes que uma pessoa pode experimentar.

shocked_eye-bwO resultado de um ataque de pânico é muito doloroso. Sentimentos de depressão e desamparo são geralmente experimentados. O maior medo é que o ataque de pânico vai voltar outras vezes, tornando a vida muito miserável para suportar. O pânico não é necessariamente provocado por uma circunstância reconhecível, e pode permanecer um mistério para a pessoa envolvida. Estes ataques vêm “do nada”. Em outros momentos, estresse excessivo ou outras condições de vida negativas podem desencadear um ataque.

Infelizmente, muitas pessoas não procuram ajuda para ataques de pânico, agorafobia e outras dificuldades relacionadas à ansiedade. Isto é especialmente ruim porque o pânico e outros transtornos de ansiedade são condições tratáveis ​​que respondem bem a terapia de curto prazo. A pesquisa clínica fornece um sólido modelo de métodos cognitivos, emocionais e comportamentais que podem ajudar a superar transtornos de ansiedade, como pânico e / ou agorafobia. A terapia cognitiva / comportamental é um tratamento relativamente novo para pânico e agorafobia, que tem demonstrado um alto índice de sucesso.

As pessoas que experimentam pânico e agorafobia não são “loucas” e não precisam ficar em terapia por longos períodos de tempo. As sessões dependem da gravidade e duração do problema e da vontade do cliente de participar ativamente do tratamento e da mudança.

Quando uma pessoa com pânico é motivada a praticar e experimentar novas técnicas, ela está literalmente mudando a maneira como seu cérebro responde. Quando você muda a maneira que seu cérebro responde, a ansiedade e o pânico continuarão a se encolher, as estratégias que você usa contra elas se tornarão mais fortes, e o pânico irá parar de causar problemas.

A chave para superar ataques de pânico

O caminho mais seguro para superar ataques de pânico é treinar para responder ao pânico de maneira calma e em tom de aceitação.

À medida que você lê os passos descritos abaixo, pense em como eles se comparam ao que você costuma fazer durante um ataque de pânico. É possível que a forma como respondemos ao ataque faça com que ele piore ainda mais. O caminho para superar ataques de pânico requer respostas que são bastante diferentes do que você costuma fazer. Se você continuar fazendo a mesma coisa, provavelmente continuará recebendo o mesmo resultado. Se você está buscando alívio da ansiedade, precisa usar métodos diferentes.

Os seis passos para superar ataques de pânico são:

Reconhecer

Aceitar

Esperar

Observar

Repetir

Fim

Reconhecer

Todo o progresso começa aqui. Este é o passo mais importante para superar ataques de pânico.

Aqui eu reconheço a realidade presente: eu estou com medo e começando a entrar em pânico. Eu não vou tentar ignorá-lo, ou fingir que ele não está lá. Eu não vou lutar para me distrair, dizer a mim mesmo para “parar de pensar sobre isso” ou começar a contar carneirinhos.

Estou simplesmente reconhecendo que estou com medo, não que eu corro perigo. O pensamento de que estou em perigo é apenas mais um sintoma do pânico, não um pensamento importante ou útil.

Aceitar

Aqui eu aceito o fato de que estou com medo. Eu não luto contra o sentimento; não peço a Deus para me livrar; não me culpo ou a qualquer outra pessoa. Aceito, da melhor forma que posso, que estou com medo, da mesma forma que eu aceitaria uma dor de cabeça. Eu não gosto de dores de cabeça, mas eu não bato minha cabeça contra a parede em um esforço para me livrar delas, porque isso as tornaria piores. Superar ataques de pânico começa com trabalhar com –  e não contra – os sintomas de pânico e ansiedade.

Como posso aceitar um ataque de pânico?

O que torna um ataque de pânico aceitável (não desejável, mas aceitável) é que, embora ele pareça horrível e nos encha de medo, ele não é perigoso. Não vai nos matar ou deixar loucos. Aceitar os sintomas, e não resistir a eles, é um passo poderoso para superar ataques.

O que um ataque de pânico pode me causar?

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Ele te faz sentir medo, isso é o que ele faz. E, se você já está tendo um ataque de pânico, então você já está com medo! Você já está experimentando o pior que vai acontecer.

Esperar

Uma das características de um ataque de pânico é que ele temporariamente rouba sua capacidade de pensar, lembrar e se concentrar. Se você esperar, isso lhe dará um pouco mais de tempo para recuperar estas habilidades antes que você aja. Quando você reage antes de ter tido a chance de pensar direito, o que você faz? Se você for como a maioria das pessoas, provavelmente foge, ou luta. Isto é o que as pessoas querem dizer quando dizem coisas como “Eu sei que EU estou causando isso a mim mesmo” e quanto mais você tenta, pior fica.

Tentar agir muito rápido é um grande obstáculo para superar ataques de pânico. Assim, mesmo que você tenha um forte desejo de sair, adie essa um pouco essa decisão. Não diga a si mesmo que você NÃO PODE sair – mantenha essa opção aberta para que você não se sinta preso – mas adie a decisão sobre se deve ou não sair. Fique na situação. Você não precisa fugir para conseguir alívio. Deixe que o alívio venha até você.

Observar

Use a ocasião para observar como o pânico funciona e como você responde a ele. A melhor maneira de fazer isso é preencher o Diário do Pânico. O diário é um questionário que ajuda a notar aspectos importantes de um ataque de pânico, para que você possa responder com mais eficiência ao longo do tempo. Sinta-se à vontade para baixá-lo e reproduzi-lo para seu uso pessoal.

Qual é a sua função durante um ataque?

Não é sua função fazer com que o ataque de pânico acabe. Isso vai acontecer, não importa o que você faça. Seu trabalho, agora, é ver se você pode ficar um pouco mais confortável, enquanto espera o ataque terminar.

Algumas técnicas úteis:

Respiração pelo ventre

Independentemente do que mais você faça, use a respiração pelo ventre, também conhecida como respiração diafragmática, embora eu ache “respiração pelo ventre” mais descritiva. Muitas pessoas pensam que sabem fazer respiração profunda, mas não a fazem de forma correta, por isso não conseguem bons resultados. Uma boa técnica da respiração pelo ventre é uma ferramenta muito poderosa para superar ataques de pânico! Este vídeo explica como fazer:

Envolva-se no presente

As pessoas não se apavoram no presente. As pessoas entram em pânico quando imaginam algo ruim acontecendo com elas no futuro ou no passado. É por isso que seus ataques de pânico são quase sempre acompanhados por alguns pensamentos de “e se….?”. A razão pela qual você diz “e se …?” é porque o que você teme não está realmente acontecendo!

Volte para a atividade em que você estava envolvido antes do ataque e envolva-se com as pessoas e objetos ao seu redor. Se você estiver em uma loja, continue fazendo compras, leia as etiquetas, compare preços, faça perguntas, etc. Quando você traz seu foco e energia de volta para o ambiente atual, isto o aproxima do objetivo de superar o ataque de pânico. Envolva-se com tudo e todos que estejam ao seu redor.

Trabalhe com seu corpo

Identifique e relaxe as partes do seu corpo que ficam mais tensas durante um ataque de pânico. Não se permita ficar rígido, com os músculos tensos e segurando a respiração. Isso só faz você se sentir pior! Se você sente que “não pode mover um músculo”, comece com apenas um dedo!

Como isso se compara com o que você costuma fazer durante um ataque de pânico?

Repetir

Este passo está aqui porque você está começando a se sentir melhor, e então, sente outra onda de pânico. Sua primeira reação pode ser pensar “Ah, não, não funcionou!”.

O passo repetir está aqui para lembrá-lo que tudo bem se isso acontecer. Basta começar tudo novamente. Não é incomum ou perigoso. Você pode passar por vários ciclos, e só precisa repetir os passos novamente, quantas vezes precisar.

Como isso se compara com o que você costuma fazer durante um ataque de pânico?

Fim

Este passo está aqui para lembrá-lo que seu ataque de pânico irá terminar; que todos os ataques de pânico terminam; que eles terminam independentemente de como você responde; que não é seu trabalho terminá-lo; e que seu único trabalho é ficar o mais confortável possível enquanto aguarda o seu fim.

Estas declarações foram verdadeiras para você?

Você não precisa confiar no que eu digo, basta rever seu próprio histórico e analisá-los.

E talvez, da próxima vez que tiver um ataque de pânico, quando perceber que está pensando, mais uma vez, “será que isso vai acabar”?, você irá afirmar, categoricamente: “SIM!”

 

 

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