Uma Brazuca no Grão-Ducado

Je suis désolé mas não estou entendendo nada!

Mudar-se para outro continente ensina muitas coisas, por bem ou por mal. É preciso ser um tipo especial de pessoa para fazer isso. Empacotar toda a sua vida em duas malas é uma prova prática de desapego e minimalismo. Claro que também bate um desespero básico, afinal, junto com aquelas roupas, sapatos e caixas de CD’s que você deixa pra trás, você também deixa as amizades, a família (ou parte dela) e o conforto de estar na sua bolha de segurança.

Uma vez me disseram que a razão pela qual nos mudamos para outros países é porque estamos fugindo de alguma coisa ou correndo para outra. Eu não poderia concordar mais. Sim, eu estava correndo para alguma coisa. Bom, no meu caso, estava correndo para alguém. Ahh, o amor! Dizem que ele ultrapassa barreiras, não é? Pois bem, continentes também.

Em maio de 2015, após três anos de relacionamento recheados de ponte aérea e choradeira na despedida, cá estou eu, em Luxemburgo, devidamente acomodada com meu filho e uma vira-lata disfarçada de Chihuahua que adotei pouco depois que cheguei. Eu não estava fugindo de nada, estava apenas correndo para um futuro que, até então, eu desconhecia. A primeira sensação que você tem ao pisar em terras estrangeiras é um misto de espanto e liberdade. Liberdade de ser você mesmo. A vida não para e espera por você. Ela simplesmente passa. Nascimentos acontecem o tempo todo. Mortes também. A fila anda.

Quando cheguei, aquelas situações cotidianas básicas com as quais eu estava super acostumada no Brasil acabaram se tornando um desafio e tanto! Hospitais. Aeroportos. Dentistas. Supermercados. Para quem não tem muita paciência (como eu), este pode ser um grande teste. Você acaba entendendo que ninguém entende você. Ninguém liga. Encomendar comida, entrar em um táxi, ônibus ou trem e outras tarefas diárias normais exigem paciência. Nem sempre é fácil. Você vai pedir comida errada, pegar o ônibus errado, vai se perder enquanto dirige (sim, mesmo com o GPS), vai entrar no supermercado e ficar hoooras olhando para os produtos e tentando identificar, pela foto, para que eles servem (e mesmo assim vai sair de lá com um amaciante de roupas achando que é para limpar o chão), vai rir sozinha dos “nomes engraçados” que você encontra nas prateleiras, vai desejar imensamente ter uma capa de invisibilidade depois de perguntar cinco vezes o nome de uma pessoa e continuar sem entender, vai querer dar gargalhadas, vai querer se acabar de chorar. Algo que você costumava fazer em 10 minutos, com os “pés nas costas”, pode levar mais de uma hora. Aceite isso. Dói menos e melhora com o tempo! Comunicar-se é um capítulo à parte. Você tenta explicar o que está acontecendo por todos os meios possíveis. Todos mesmo! Responder para uma pessoa em QUALQUER idioma menos a língua que ela fala é mais do que corriqueiro. Vale tudo para se fazer entender: gesticular, usar mímica, desenhar…é hilário, patético, constrangedor e…normal! Também é engraçado como você adquire uma habilidade matemática incrível, já que vive tentando converter sua moeda local para o seu país de origem. As histórias que você terá para contar pelo resto de sua vida são tão inacreditáveis que a maioria das pessoas vai pensar que você está exagerando.

Mas, o mais importante de tudo isso é que você cresce. Por mais que odeie admitir isso, a cada mancada, a cada passo dado, você cresce. Você aprende as maneiras mais eficientes de fazer as malas, conhecer novos amigos, se locomover e sobreviver. Você acaba aprendendo a língua, de um jeito ou de outro. Um dia, você entra no supermercado e cumprimenta a pessoa que passa ao seu lado, pega os produtos que precisa sem olhar para as figuras e até arrisca um ‘merci, bonne journée’ para a atendente do caixa. Vai até o seu carro e dirige com o GPS ligado (só por precaução, embora você não precise mais dele tanto quanto costumava precisar) e descobre que, no fundo, as pessoas são apenas pessoas, assim como você. Elas também têm medo, esperanças, sonhos. Nessa hora, percebe também que a língua é apenas uma questão cultural, não uma barreira intransponível. Você se torna parte daquela comunidade mas, melhor ainda, você se SENTE parte dela.

Se você está pensando em arrumar as malas mas tem medo do desconhecido, se jogue! Quando você começar a entrar em pânico e quiser ir para casa, é exatamente quando sua luta – ou sua jornada – irá começar. Você irá perceber, finalmente, que é mais forte do que todos os seus medos e mergulhar de cabeça. Acredite em mim, você vai agradecer por isso mais tarde. Eu agradeço todos os dias.

Chegando em Lux!

Chegando em Lux!

Bem-vindo em várias línguas

Bem-vindo em várias línguas

Place de Paris

Place de Paris

Uma das ruas do centro

Uma das ruas do centro

Grund em um dia nublado

Grund em um dia nublado

Grund em um dia de sol

Grund em um dia de sol

Castelo Cochem na Alemanha

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Gare central vista de cima

Fim de tarde em Kirchberg

Fim de tarde em Kirchberg

The Pub - pausa para tomar uma Guinness

The Pub – pausa para tomar uma Guinness

Castelo de Beaufort

Castelo de Beaufort

Muito verde!

Muito verde!

E muito branco também! ;)

E muito branco também! ;)

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Mais uma do Grund, finalzinho de tarde.

Férias nas montanhas!

Férias nas montanhas!

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